Sobre a arte de comer bem

Alimentando o corpo e a alma

Não tenho formação gastronômica, nem tão pouco em nutrição, mas arrisco aqui um palpite sobre a arte de se comer bem.

Comer bem para alguns é comer muito… para a alta gastronomia é comer sofisticadamente, para outros é comer alimentos saudáveis. Para alguns é comer “coisas caras”, para outros coisas raras…para uns é comer a comida da mãe, da avó…

Comer bem na minha concepção significa, talvez, tudo isso junto e mais um pouco. Significa experimentar, equilibrar, descobrir, redescobrir, inventar, nutrir, respeitar, vivenciar…

A comida é uma das coisas mais incríveis da sociedade: ela define culturas, define valores, ela é criação, ela é memória, ela agrega, ela é história, ela transforma, ela te transforma, ela se transforma (conforme a “mão” do cozinheiro), ela nutre, ela sacia, ela é prazer…

Ao vivenciar diferentes experiências gastronômicas percebo que comer bem vai além da rotina de obter os nutrientes necessários para a sobrevivência. Como é gostoso reinventar um prato com os mesmo alimentos que se está habituado. A descoberta, a criação, geram prazer que alimenta a alma. A memória de um prato que se comia na infância gera o prazer de se comê-lo novamente…e por aí vão as emoções de se alimentar…

Na falta de um simples alimento como a batata, por exemplo, decorreu a Grande Fome na Irlanda, em meados de 1800. Essa mesma batata que foi história é um alimento simples que pode ser transformado em inúmeros e indefinidos pratos. É um alimento que pode ser vilão e pode ser diversão. É universal e pode ser tão específico ao mesmo tempo. Eis a riqueza do alimento…que vai além da tabela nutricional.

Se devo arriscar um palpite diria: coma bem, nos vários sentidos: experimente, equilibre, descubra, redescubra, invente, veja, aprecie, sinta, saboreie, nutra-se, respeite e vivencie.

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